De véu e grinalda?

No livro “Comprometida”, a jornalista e escritora Elizabeth Gilberts conta por que decidiu, de maneira convicta, a não se casar com o homem que ama (até que uma virada do destino a obriga ao contrário). Mas nem sempre as mulheres puderam fazer esse tipo de escolha. Nossas avós foram preparadas para casar e o fizeram cedo, ainda na adolescência. O casamento sempre foi – e continua sendo – uma das instituições mais valorizadas pela sociedade. Mas qual é a relação da mulher de hoje com o casamento?

Segundo o psicólogo e especialista em análise do comportamento Carlos Esteves, as mulheres ainda valorizam o casamento, isto é, a união entre duas pessoas com o objetivo de constituir uma família. Porém, ao contrário do que aconteceu com gerações passadas, não estão mais dispostas a pagar qualquer preço em nome da instituição. “Em alguns casos elas não desejam abrir mão de um estilo de vida já constituído e principalmente se submeter incondicionalmente ao longo de uma vida”, afirma.

De fato, o casamento – com direito a véu e grinalda – ainda é o grande sonho para muitas mulheres modernas. E não há nada de errado em realizar o sonho de casar tradicionalmente. O conflito acontece quando as mulheres não conseguem realizar seu maior desejo. “As contingências que tornaram este sonho tão importante podem cobrar um preço muito alto desta mulher, na medida em que o tempo vai passando e o sonho não se concretiza”, enfatiza Carlos Esteves.

 

Longe do conceito “solteirona”

Pelo menos nos grandes centros urbanos, as mulheres que escolhem não casar não são mais vistas como “solteironas”. Em locais onde não se valoriza a parceira apenas como dona de casa, esposa e mãe, é possível viver sem se casar de maneira mais tranquila, sem sofrer grandes preconceitos. É comum, inclusive, que se encontre outras pessoas que fizeram a mesma opção que a sua.

 

Test drive

Embora não seja mais necessária formalidade para constituir união estável, muitos casais escolhem morar juntos antes de casarem de papel passado. É o famoso test drive: primeiro testam a vida a dois e, se der certo, realizam o casamento legal. O psicólogo Carlos Esteves defende que não existe diferença de forma prática em morar juntos formalmente ou informalmente. Para ele, este tipo de relação está mais próximo de ser produto de um arranjo quando as opiniões sobre o tema são diferentes ou incertas.

Talvez seja uma indicação de que esta relação não esta revestida de objetivos de longo prazo comuns, e neste caso, há uma fragilidade no relacionamento, que se não for abertamente tratada pode, sim, criar insegurança para uma das partes”, alerta o psicólogo.

 

Quando o mais importante é a festa

Para as que optam pelo casamento, antes da vida a dois em si, existe uma verdadeira maratona para a grande festa. Escolha da data, da igreja, dos padrinhos, dos fornecedores, do vestido, do destino da lua de mel. Para algumas, todo esse preparativo é motivo de estresse ou de diversão. Porém, para outras, a festa torna-se, inconscientemente, um objetivo maior do que a nova vida a dois. Para Carlos Esteves, isso pode acontecer quando o foco da noiva está mais voltado a atender os anseios de seu meio social (família e amigos) e a realização da festa representa o fim, não o começo do casamento.

Quando isto ocorre é bem provável que problemas de natureza concreta (a relação) surjam, uma adaptação que deveria ter iniciado durante o período de namoro, pode não ter ocorrido consistentemente, principalmente pelo fato de que realizar o casamento era o ‘maior desafio de sua vida’”, adverte o psicólogo.

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