A palavra é adaptação

envelhecimentoO autoconhecimento é o segredo para viver a terceira idade com qualidade de vida

Não adianta negar: muitas pessoas têm medo do envelhecimento, afinal, como lidar com as mudanças do organismo e com a perda da jovialidade? Porém, com autoconhecimento do corpo e de suas limitações e com a ajuda da ciência, é possível viver a terceira idade de maneira feliz e satisfatória.

Para o psicólogo e especialista em análise do comportamento Carlos Esteves, membro do NTCR-C, o que passa a assustar homens e mulheres que estão próximos da terceira idade é precisar lidar com as limitações e perdas nas mais diferentes esferas da vida. Este temor implica a perda de algo importante e valorizado, como um ente querido, a jovialidade, a vida profissional.

O termo chave para chegar bem à terceira idade é capacidade de adaptação. “Quando envelhecemos, passamos de uma fase mais ativa para uma fase menos ativa. Isto requer uma sensibilidade para reconhecer as mudanças orgânicas e imprimir ações preventivas, como por exemplo, atividades físicas amenas, monitoramento das funções orgânicas (exames laboratoriais e acompanhamento médico sistemático), manutenção de redes sociais de relacionamento etc.”, destaca Esteves.

Embora necessite ter atenção com a saúde, o idoso pode levar uma vida normal, isto é, praticar esportes, desenvolver atividades de lazer, manter a vida social. Esteves considera que as pessoas devem responder em consonância com seu grupo social próximo, mesmo que isso possa significar para outro grupo um comportamento exótico.

Para o psicólogo, é impossível definir um limite para quem está na terceira idade. “Até pouco tempo atrás era inconcebível que um jogador de futebol profissional continuasse jogando profissionalmente até os 40 anos, e hoje vemos vários exemplos de atletas atuando profissionalmente aos 40 anos de idade. Logo, é mais importante que o indivíduo tenha o autoconhecimento para interagir com o ambiente e responder adequadamente aos estímulos do que definir uma idade limite para as respectivas atividades”, explica.

Ajuda da ciência no combate ao medo da velhice

As chamadas doenças da velhice são um dos grandes temores de quem já está ou está chegando à terceira idade. Esteves lembra, no entanto, que atualmente os esforços científicos estão direcionados para que as pessoas possam lidar com o envelhecimento de forma mais adaptativa. “Diferentemente de retardar o envelhecimento é prolongar a vida, pois, o que temos constatado é que vivemos mais anos na velhice”, afirma.

Para o psicólogo, o desafio da ciência é proporcionar soluções que possam viabilizar uma melhor maneira para enfrentarmos tais limitações, como no caso das manifestações da Doença de Parkinson.  Já existem aplicações científicas com a utilização de eletrodos em partes específicas do cérebro que, por meio de impulsos elétricos, estimulam as regiões que foram comprometidas e com isso o indivíduo retoma parte do controle de seus movimentos.

Perder a beleza da juventude também é um dos grandes medos da terceira idade. Neste caso, a ciência também é uma grande aliada para minimizar as temidas transformações estéticas. “Felizmente vivemos em uma época em que as pessoas podem lançar mão das mais diferentes técnicas e produtos para retardar a perda da jovialidade e, assim, temos uma sociedade cada vez mais tolerante à diversidade”, ressalta Esteves.

O psicólogo defende que aqueles que possuem maior facilidade para aceitar as transformações vão mudando naturalmente e aqueles que possuem maior dificuldade em aceitar vão se mantendo arbitrariamente. Por isso, as pessoas escurecem o cabelo, aplicam botox, implantam silicone, utilizam hormônio etc. Nestes casos, é imprescindível o acompanhamento médico, pois, o especialista irá avaliar e estabelecer o prognóstico do uso das diferentes técnicas utilizadas.

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