COTIDIANO – TÉDIO!

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Haviam pessoas por toda parte. No canto do salão fazendo contraste com tanta gente engravatada, um homem sem terno. Sentado com a calma de quem já viu e conhece muita coisa na vida.

 

Eu estava à metros de distância dele, mas podia sentir o calor dos seus olhos subir pelas minhas pernas, derreter o meu vestido e entrar em mim como se estivéssemos sozinhos em um quarto de hotel. Sei que em sua mente, ele me consumia. Nem a distância, nem as pessoas ao seu redor o impediriam de estar dentro de mim naquele momento.

Para quebrar o silêncio de nossas mentes em meio a tanto barulho, ele veio para perto de mim e disse:

 

-Vamos tomar um café?

 

Permaneci calada por não saber que reação ter. Sabia que era casado. Sabia o que ele estava pensando e o que queria, mesmo trocando poucas palavras.

 

Tive que ir embora, olhei pra trás e não o vi. Porém, a voz daquele homem, o verde dos seus olhos e a dúvida de se nos veríamos novamente ou nunca mais, ainda ecoavam na minha cabeça. Eu não sabia ao certo quem ele era, mas nossas mentes já se conheciam à tempos.

 

Aceitar ou não o convite para o café foi um dilema. Porém, o que eu tinha a perder? Minha vida estava chata mesmo.

 

 

Anabelle Eiffel

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