Curso de Formação

CURSO DE FORMAÇÃO EM TERAPIA COMPORTAMENTAL

MODELO TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

O presente Curso procura preencher duas lacunas dos Cursos de Graduação em Psicologia, assim, os Cursos de Graduação:

  1. Oferecem pouca ou nenhuma oportunidade sistemática para os alunos conhecerem a Ciência do Comportamento (erroneamente confundida com Behaviorismo), a Filosofia dessa Ciência chamada por Skinner de Behaviorismo Radical (diferentemente do que se pensa radical não significa, nesta denominação, extremado, drástico, brusco, violento). Radical foi usado por Skinner como relativo ou pertencente à raiz ou a origem; aquilo que parte ou provém da raiz; relacionado com a origem: básico, essencial, completo e profundo.
  2. Tendem a sobrecarregar o aluno com conceitos e teorias (necessárias sem dúvida), à custa (o que é uma perda relevante) de uma formação tecnológica e prática (também necessária). O conhecimento envolve teoria e prática como unidade indissolúvel para gerar o saber. O aluno de Graduação, em geral, sofre com a dissociação da teoria com a prática.

O Curso de Formação que estamos apresentando propõe-se a sanar as duas lacunas apontadas dentro do âmbito específico da Análise do Comportamento, do Behaviorismo Radical e da Terapia por Contingencias de Reforçamento. Assim, os objetivos do Curso são habilitar o aluno a:

  1. Definir os princípios básicos do Comportamento.
  2. Exemplificar a operação de tais princípios na vida cotidiana.
  3. Expor os conceitos do Behaviorismo Radical, especificamente o conceito de Homem que propõe.
  4. Fazer a distinção entre o modelo mecanicista de causa (o qual prevalece na maioria das teorias psicológicas) e o modelo darwiniano de seleção do comportamento pelas suas consequências (adotado pelo Behaviorismo Skinneriano).
  5. Definir comportamento, distinguindo-o de resposta.
  6. Definir o conceito de contingências de reforçamento.
  7. Conceituar sentimento dentro de um modelo comportamental.
  8. Definir comportamento verbal e as classes verbais funcionais a partir de Skinner.
  9. Identificar as classes verbais funcionais nas interações verbossociais cotidianas e dentro do processo psicoterapêutico.
  10. Definir a cognição como evento comportamental causado e despojá-la da função de causa de comportamento.
  11. Listar as principais contingências de reforçamento que produzem sentimentos de: autoestima, autoconfiança, ansiedade, agressividade, tolerância à frustração, culpa, responsabilidade etc.
  12. Contribuir com análises, comentários, sugestões etc. nas discussões de casos clínicos, em que profissionais expõem os processos psicoterapêuticos conduzidos com seus clientes.
  13. Discutir filmes e sessões psicoterapêuticas simuladas gravadas que visam apresentar episódios de interações humanas que permitem aos participantes identificarem os processos comportamentais em operação, bem como alternativas de intervenção.
  14. Especificar os passos do raciocínio clínico do terapeuta e possíveis alternativas de interpretação e de intervenção.
  15. Definir os principais procedimentos psicoterapêuticos.
  16. Descrever de maneira precisa, tal que permita replicação, os procedimentos psicoterapêuticos empregados nas sessões e casos apresentados em sala de aula.

 

O Curso terá duração mínima de dois semestres com direito a certificado.

 

O tempo todo haverá a preocupação de levar o aluno a relacionar as análises e intervenções com o referencial conceitual do modelo comportamental adotado. As ações terapêuticas têm que ser conceitualmente sistemáticas. A teoria pode ser fascinante, mas sem sustentação empírica na prática é oca. Por outro lado, as intervenções que não estão delimitadas, nem comprometidas com um referencial teórico consistente são como movimentos aleatórios; trata-se de uma agitação em direção a lugar nenhum. O Curso se propõe a levar o aluno a uma ação responsável comprometida com um arcabouço conceitual consistente.

 

Unidades do Programa[1]

 

  1. Contingências de Reforçamento (CRs):
  2. Definição e principais CRs.
  3. Comportamento e resposta: diferenças conceituais.
  4. Comportamento e sentimento: produtos de CRs.

 

  1. O que é Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR):
  2. Conceituação.
  3. Estudos de casos que ilustram a TCR.

 

  1. Discussão de caso clínico sob a perspectiva da TCR:
  2. Queixa inicial.
  3. Análise conceitual dos comportamentos e sentimentos apresentados na queixa.
  4. Procedimentos psicoterapêuticos adotados.
  5. Discussão do caso: reflexões sobre a conceituação do problema do cliente e a adoção de procedimentos.

 

  1. Definições de Termos:
  2. Behaviorismo Radical.
  3. Análise Experimental do Comportamento.
  4. Análise Aplicada do Comportamento.
  5. Ciência do Comportamento.

 

  1. Sentimentos sob a perspectiva comportamental:
  2. Paradigmas que produzem sentimentos.
  3. Principais sentimentos: ansiedade; culpa; autoestima; autoconfiança; responsabilidade; tolerância à frustração; agressividade; fobias etc.

 

  1. Os três níveis de seleção de Skinner:
  2. Nível filogenético – próprio da espécie.
  3. Nível ontogenético – próprio de cada pessoa.
  4. Nível cultural – próprio da comunidade socioverbal.

 

  1. Análise de episódios clínicos: recortes de Estudos de Casos:
  2. Episódios comportamentais – selecionados de diferentes Estudos de Casos – serão analisados sob a perspectiva das CRs que os determinam e apresentados os procedimentos para influenciá-los.

 

  1. Definição de termos:
  2. Distinção entre história de contingências de reforçamento e história de vida.
  3. Exemplos clínicos das implicações de tal distinção.

 

  1. Comportamento verbal (CV):
  2. Definição de CV por Skinner.
  3. Classes verbais funcionais de Skinner.

b1. Mando

b2. Tato

b3. Intraverbal

b4. Autoclítico

b5. Edição de texto

 

  1. O raciocínio clínico:
  2. Integração entre dados empíricos, modelo conceitual e valores pessoais do terapeuta.
  3. A atuação terapêutica no consultório e fora dele.

 

  1. Apresentação em vídeo de atendimento clínico:
  2. Situação simulada de interação terapeuta-cliente.
  3. Discussão do caso clínico apresentado.
  4. Retomada do tema de raciocínio clínico.

 

  1. TCR (Terapia por Contingências de Reforçamento) e TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental):
  2. Comparação dos dois modelos de processos psicoterapêuticos.
  3. Implicações conceituais e práticas da adoção de outro modelo.

 

  1. O que é psicoterapia para Skinner:
  2. Definição do termo.
  3. Discussão do texto de Skinner.

 

  1. O lado operante da Terapia Comportamental (TC):
  2. Diferentes definições e modelos de atuação psicoterapêutica sob o rótulo de TC.
  3. O modelo operante da TC.
  4. Consistência entre o modelo operante da TC e a TCR.

 

  1. Os limites e as possibilidades do comportamento verbal (CV) no processo psicoterapêutico:
  2. O terapeuta não lida diretamente com o CV, mas com as CRs das quais o CV é função.
  3. Funções de autoclíticos, intraverbais, tatos e mandos no processo terapêutico.

 

  1. A ansiedade pode ser um evento antecedente do comportamento?:
  2. Definição de termos.
  3. A tríplice contingência de reforçamento revisitada.

 

  1. Definição de termos:
  2. Reforço natural e arbitrário.
  3. Reforço positivo e negativo.
  4. Sentimentos produzidos por reforçamento positivo e negativo.
  5. O papel das contingências de reforçamento amenas.

 

  1. Metáforas:
  2. Controle de estímulo privilegiado do falante (terapeuta) sobre o ouvinte (cliente) através do uso de metáforas no processo psicoterapêutico.
  3. Formação de conceitos a partir de metáforas.
  4. Elaboração de imagens a partir de metáforas.
  5. Metáforas como recurso mnemônico.
  6. Função motivacional das metáforas.

 

  1. Autoconhecimento – consciência:
  2. Auto-observação.
  3. Consciência é produto social.
  4. Conscientizar-se equivale a conhecer verbalmente
  5. Conhecer não implica, necessariamente, em fazer bem: são processos independentes.
  6. A consciência não liberta; é um passo no processo de libertação.

 

  1. Autocontrole:
  2. Definição comportamental de autocontrole.
  3. Autocontrole não é uma entidade mental.
  4. Autocontrole implica em a pessoa programar e implementar as CRs das quais seu próprio comportamento será função.

 

  1. Comportamento encoberto:
  2. Comportamentos públicos e encobertos são da mesma natureza.
  3. São ambos regidos pelas mesmas leis dos comportamentos.
  4. O papel da comunidade verbal no conhecimento dos comportamentos encobertos.

 

  1. Controle coercitivo:
  2. Formas de controle coercitivo.
  3. O reforçamento positivo pode ser instrumento de coerção.
  4. Punição não é castigo.
  5. Sentimentos produzidos pelo controle coercitivo.
  6. Aspectos positivos dos comportamentos de fuga-esquiva.

 

  1. Controle do comportamento pelo antecedente:
  2. Instruções.
  3. Regras e autorregras.
  4. Modelo – imitação.
  5. Fading infading out.
  6. Efeitos emocionais do SD, S∆, estímulo pré-aversivo, SD pun.
  7. Comportamento governado por regras versus comportamento selecionado pelas consequências.

 

 

Início: março de 2015 – duração de 2 semestres:

 

  • Sextas quinzenais das 13h às 17h;
  • Sábado mensal das 8h às 12h.

 

Público: Alunos de graduação de Psicologia e Psicólogas (os).

 

Certificado: ITCR Campinas / NTCR Curitiba.

[1] Unidade de refere a um tema que pode envolver atividades durante uma, duas ou mais semanas.

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